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Artigo em parceria com o CDES Lab


Modelos de negócio e pontos de contacto em evolução

O modelo de negócio dos clubes tem evoluido ao longo das décadas transitando de uma base unicamente assente no papel de anfitrião de jogos no seu estádio proporcionando a melhor experiência aos seus adeptos, para organizadores de eventos e espectáculos de todos os âmbitos (desportivos, musicais, empresariais, outros), tours e actividades diárias nas suas instalações enquanto verdadeiras entidades comerciais (realidade clube-empresa).

Paralelamente, para potenciarem o seu crescimento, têm vindo a criar novas fontes de receita cimentando a sua posição ao nível do ecommerce, esports, plataformas OTT, monetização de redes sociais e aplicações digitais, entre outras.

Por conseguinte, os canais de contacto com os seus adeptos-clientes alargaram-se fazendo deles parte, além das eternas televisão e imprensa, as redes sociais, aplicações digitais, modelos de conectividade dentro e fora do estádio, anúncios audiovisuais, eventos e agências de comunicação. Para este efeito, estas entidades têm, hoje em dia, equipas qualificadas e totalmente dedicadas à gestão destas plataformas e pontos de contacto. De entre estes, as redes sociais, na última década, passaram a ser o principal veículo de comunicação, tratando-se de uma ferramenta de fácil e rápida utilização em qualquer lugar e momento, que obriga a um investimento manifestamente inferior ao de outros canais mais tradicionais, e que alcança os seus seguidores independentemente da sua localização geográfica e fuso horário.

A importância das redes sociais na estratégia dos clubes

Actualmente, proporcionar experiências de qualidade aos adeptos que não podem estar presentes no estádio é igualmente vital. A imagem e atmosfera de um estádio contribui muito para a percepção do público e do mercado em relação ao clube. Deste modo, funcionalidades como as que as redes sociais oferecem são de enorme importância, não apenas como forma de comunicação/informação rápida, mas também como uma ferramenta para que os adeptos se sintam parte do clube e do espectáculo ao ver e interagir com os conteúdos publicados e como forma de expor o estádiio como um local que qualquer adepto gostaria de visitar devido ao ambiente, aos jogadores e ao espectáculo criado em redor do jogo.

Estas plataformas, face ao referido em cima, transformaram-se também na principal ferramenta de internacionalização juntamente com os direitos televisivos. Actualmente, através das redes sociais, os clubes têm capacidade de captar novos adeptos, não necessariamente da nacionalidade do país ao qual o clube pertence, mas também perpetuar os laços à distância com os seus adeptos que não têm possibilidade de viver mais de perto e ao vivo a vida do clube. Estratégias que assentam na exploração da imagem de jogadores com grande representatividade nestas plataformas têm sido adoptadas pelos clubes como forma de fazer crescer a sua base de adeptos e, por conseguinte, a sua abrangência comercial. Assim, hoje em dia, o retorno que pode ser mensurado aquando da selecção e recrutamento de um atleta, terá também de incluir uma análise ao impacto que este trará no âmbito das redes sociais e mercados que passam a ser alcançáveis pelo clube assim que este passar a fazer parte dos seus quadros.

A presença dos clubes das 25 principais ligas europeias nas redes sociais

Sem grande surpresa, e face ao exposto em cima, verificamos que o total de seguidores das 25 principais ligas europeias está correlacionado com o poderio e representatividade das mesmas a nível desportivo e financeiro. Assim, a Liga Inglesa (Premier League), considerada a melhor liga do mundo e a principal geradora de receitas, é também a que reúne o maior número de seguidores nas quatro principais redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e YouTube) em termos acumulados.

As restantes ligas habitualmente denomimadas “Big-5” (Liga Espanhola – La Liga, Liga Italiana – Serie A, Liga Alemã – Bundesliga, e Liga Francesa – Ligue 1), ocupam os restantes lugares do top-5.

A Liga Portuguesa (Liga NOS), sendo o campeonato que ocupa actualmente o sexto lugar de acordo com o ranking da UEFA, surge na sétima posição com cerca de 22 milhões de seguidores, logo atrás da Liga Turca (Spor Toto Super League) e das “Big-5”.

Polarização interna de seguidores

Em todos os campeonatos, como é natural, existe um conjunto de clubes que reúne a maioria dos seguidores devido à sua presença mais assídua nas competições europeias e aos títulos conquistados. Conforme podemos verificar em baixo, esta polarização é bastante acentuada estando, em média, 74% dos seguidores concentrados em apenas três clubes de cada liga. Exemplo disso é a Liga Portuguesa (Liga NOS), onde SL Benfica, FC Porto e Sporting CP agregam 87% do total de seguidores dos clubes do campeonato nas quatro principais redes sociais.

A representatividade de cada uma das quatro principais redes sociais

Pelas características de cada uma das redes sociais, nomeadamente, pela tipologia de conteúdos e facilidade de utilização que apresentam, os clubes registam também diferentes alcances em cada uma das mesmas. Assim, o Facebook continua a ocupar a principal posição agregando 47% do total de seguidores dos 401 clubes que competiram na época 2020/2021 nas 25 principais ligas europeias de acordo com o ranking da UEFA. O Instagram continua a ganhar cada vez maior notoriedade retirando protagonismo ao Facebook e agregando, neste momento, 32% dos seguidores. Finalmente, o Twitter e o YouTube concentram os restantes 21%.

O Futuro que é Presente

Até há pouco tempo, o Facebook, Instagram, Twitter e YouTube apresentavam-se como as principais redes sociais “top of mind” no mercado. Por este motivo, a esmagadora maioria dos 401 clubes que competiram na última época nas 25 principais ligas europeias estão presentes nas referidas quatro plataformas. No entanto, rapidamente terão de adaptar-se às novas tendências e, enquanto o Instagram vai ganhando claramente maior representatividade em detrimento do Facebook, outras vão cimentando a sua presença e focando-se particularmente no futebol como vai sucedendo com o Tik Tok. Recentemente, esta plataforma celebrou um contrato de patrocínio com a UEFA com o intuito de ser um dos principais patrocinadores do UEFA Euro 2020 posicionando-se como uma rede social que abrange as gerações mais jovens e as aproxima dos conteúdos de desporto. Num momento em que, cada vez mais, os clubes têm dificuldade em captar a atenção dos segmentos mais jovens, sendo estes o seu futuro enquanto adeptos e clientes, a presença numa rede social com estas características assume extrema importância.

Embora cada vez mais clubes se estejam a registar e a trabalhar nesta rede social, nomeadamente aqueles que têm uma representatividade assinalável nas redes sociais, existe ainda um longo percurso a realizar tal como aconteceu, mais recentemente, com o Instagram. Em Portugal, os chamados “Três Grandes” já se encontram presentes no Tik Tok tendo assim já iniciado o seu percurso numa plataforma que apresenta níveis muito significativos de crescimento ameaçando as restantes e que permitirá trabalhar de uma forma mais eficaz e incisiva os segmentos mais jovens.

Publicamos hoje a quinta e última parte de um conjunto de artigos que procuram avaliar o equilíbrio e espectacularidade entre as 25 principais ligas europeias (de acordo com o ranking da UEFA).

Foram avaliadas diferentes métricas relacionadas com pontuação, golos, resultados desportivos e financeiros e uma vertente de caracterização demográfica do campeonato de modo a alcançar um modelo comparativo.

Após terem sido analisados os pilares “Pontuação”, “Golos”, “Polarização Interna” e “Representatividade Económica”, neste artigo abordamos a vertente “Demografia e Internacionalização” procurando demonstrar as diferenças entre os referidos campeonatos e o seu nível de competitividade com base na mesma.

Assim, para esta análise foram consideradas as seguintes métricas:

  • Número total de jogadores (Junho 2021);
  • Percentagem de jogadores estrangeiros (Junho 2021);
  • Percentagem de jogadores internacionais (Junho 2021);
  • Média de idade dos jogadores (Junho 2021);
  • População do país (2020);
  • PIB per capita do país (2020);
  • Assistência média nos estádios entre as épocas 2013/2014 e 2017/2018;
  • Número total de seguidores nas 4 principais redes sociais – Facebook, Instagram, Twitter e YouTube (Junho 2021).

No que respeita ao número de atletas, a grande maioria dos campeonatos apresenta mais de 500 sendo este valor mais elevado na Liga Turca (598) e Liga Sérvia (589) que apresentam ligas com um número de clubes acima da média. Também em grande parte dos campeonatos, o número de jogadores estrangeiros é significativo sendo mais elevado em termos percentuais na Liga Inglesa (62%) e Liga Portuguesa (62%) seguidas da Liga Italiana (61%) e Liga Cipriota (60%).

Sendo a média de idades bastante similar entre as 25 ligas, já o número de jogadores internacionais diverge sendo, obviamente, mais elevado nos campeonatos com maior capacidade financeira e desportiva nomeadamente na Liga Inglesa que regista 33% de jogadores internacionais. Em Portugal (Liga NOS), este valor é de 11%.

Outros dados igualmente importantes e associados ao poderio das ligas, prendem-se com a assistência média nos estádios e o número de seguidores nas redes sociais. Estas métricas, juntamente com o já referido número de jogadores internacionais, demonstram a maior capacidade de internacionalização apresentada pelas ligas habitualmente denominadas “Big-5” (Premier League, La Liga, Serie A, Bundesliga e Ligue 1).

Notas:

  • O número de jogadores internacionais foi registado antes da realização do UEFA Euro 2020.
  • O número de seguidores nas redes sociais é referente às plataformas Facebook, Instagram, Twitter e YouTube em Junho de 2021.

Dando continuidade aos artigos publicados anteriormente, apresentamos-lhe a quarta parte de um conjunto de artigos que procuram avaliar o equilíbrio e espectacularidade entre as 25 principais ligas europeias (ranking da UEFA).

Foram avaliadas diferentes métricas relacionadas com pontuação, golos, resultados desportivos e financeiros e uma vertente de caracterização demográfica do campeonato de modo a alcançar um modelo comparativo.

Após terem sido analisados os pilares “Pontuação”, “Golos” e “Polarização Interna”, neste artigo abordamos a vertente “Representatividade Económica” procurando demonstrar as diferenças entre os referidos campeonatos e o seu nível de competitividade com base na mesma.

Assim, para esta análise foram consideradas as seguintes métricas:

  • Valor agregado dos Plantéis (Junho 2021);
  • Valor médio por Jogador (Junho 2021);
  • Variação percentual do Valor dos Plantéis entre 2016 e 2021;
  • Valor total dos prémios recebidos pelos clubes pela sua participação na Fase de Grupos da UEFA Champions League e UEFA Europa League e na UEFA Super Cup entre as épocas 2015/2016 e 2019/2020.

Analisando o quadro em baixo, que apresenta as 25 principais ligas europeias ordenadas da maior representatividade económica para a menor, verificamos que, tendo por base o conjunto das quatro métricas, a Liga Inglesa (Premier League) apresenta-se como a mais representativa economicamente nas últimas épocas. Além de ser a liga que reúne os plantéis com o valor agregado mais elevado, é também o berço dos clubes que mais receberam em prémios das competições da UEFA, não apenas pelo seu mérito desportivo mas, em grande parte, devido ao peso do market pool atribuído ao seu país.

Sem surpresa, os restantes campeonatos pertencentes aos chamados “Big-5” ocupam os quatro lugares seguintes sendo a Liga Espanhola (La Liga) e Liga Italiana (Serie A) as detentoras dos restantes lugares do pódio, seguidas da Liga Alemã (Bundesliga) e Liga Francesa (Ligue 1).

Finalmente, a Liga Portuguesa (Liga NOS) surge na 6ª posição, logo após os “Big-5”, sendo o campeonato, fora deste grupo, com os valores mais elevados quando consideramos os prémios recebidos pela participação nas competições europeias nas últimas 5 épocas bem como o valor agregado dos plantéis dos clubes participantes na competição.

Nota:

  • Os valores dos prémios atribuídos pela UEFA são referentes à Fase de Grupos e fases posteriores da UEFA Champions League e UEFA Europa League bem como da UEFA Super Cup.

O Football Industry apresenta-lhe hoje o terceiro de um conjunto de artigos que procuram avaliar o equilíbrio e espectacularidade entre as 25 principais ligas europeias de acordo com o ranking da UEFA.

Foram avaliadas diferentes métricas relacionadas com pontuação, golos, resultados desportivos e financeiros e uma vertente macro de caracterização do campeonato entre as épocas 2015/2016 e 2019/2020, de modo a alcançar um modelo comparativo.

Após terem sido analisados os pilares “Pontuação” e “Golos”, neste terceiro artigo, abordaremos a vertente “Polarização Interna” procurando demonstrar as diferenças entre os referidos campeonatos e o seu nível de competitividade com base na mesma.

Assim, para esta análise foram consideradas as seguintes métricas:

  • Número de clubes vencedores da liga entre as épocas 2000/2001 e 2019/2020;
  • Percentagem de campeonatos ganhos pelos dois clubes com mais títulos no período de 2000/2001 a 2019/2020;
  • Número médio da jornada na qual o título de campeão foi “matematicamente” atribuído entre as épocas 2015/2016 e 2019/2020 (em percentagem uma vez que os campeonatos apresentam diferentes totais de jornadas);
  • Rotatividade de ocupação das vagas de acesso às competições da UEFA entre 2015/2016 e 2019/2020 (através da relação entre o número de diferentes clubes apurados e o total de vagas disponíveis).

Analisando o quadro em baixo, que apresenta as 25 principais ligas europeias ordenadas do menor nível de polarização interna para o mais elevado, verificamos que, tendo por base o conjunto das 4 métricas, a Liga Romena (Liga 1) apresenta-se como a com menor polarização nas últimas épocas. Além de ser um campeonato em que, nas últimas 20 edições, 8 clubes diferentes conseguiram vencê-lo verificando-se assim uma baixa concentração de títulos nos 2 principais clubes com mais vitórias durante este período, é também uma competição que se decide apenas no final (potenciado também pela existência de uma fase de playoff) e com uma rotatividade interessante relativamente à ocupação das vagas de acesso às competições da UEFA.

De entre os chamados “Big-5”, a Premier League (Liga Inglesa) apresenta-se como o campeonato com os menores níveis de polarização interna nas últimas épocas principalmente suportado pelos 6 campeões diferentes nas últimas 20 edições com 60% das mesmas concentradas em 2 clubes.

Finalmente, a Liga Portuguesa (Liga NOS) surge apenas na 19ª posição com 4 campeões nas últimas 20 edições mas tendo 18 das mesmas sido ganhas por FC Porto e SL Benfica. Apesar de nos últimos 5 anos o campeonato ter sido decidido, em média, perto da última jornada, a rotatividade de ocupação das vagas de acesso às competições da UEFA é das mais baixas.

Notas:

  • Nos casos em que o modelo competitivo apresenta fases de playoff, as mesmas foram consideradas para apuramento da jornada de decisão do título.
  • Devido à situação pandémica iniciada em 2020, a edição de 2019/2020 ou 2020 de alguns dos campeonatos analisados foi interrompida (Bélgica, Chipre, França, Holanda, Sérvia).

O Football Industry lança hoje o segundo de um conjunto de artigos que visam avaliar o equilíbrio e espectacularidade entre as 25 principais ligas europeias de acordo com o ranking da UEFA.

Foram avaliadas diferentes métricas relacionadas com pontuação, golos, resultados desportivos e financeiros e uma vertente macro de caracterização do campeonato entre as épocas 2015/2016 e 2019/2020, de modo a alcançar um modelo comparativo.

Após ter sido analisada o pilar “Pontuação”, neste segundo artigo, abordaremos a vertente “Golos” procurando demonstrar as diferenças entre os referidos campeonatos e o seu nível de competitividade e espectacularidade com base na mesma.

Assim, para esta segunda análise foram analisadas as seguintes métricas:

  • Número médio de golos marcados por jogo;
  • Percentagem de jogos com mais do que 1,5 golos marcados;
  • Percentagem de jogos com mais do que 2,5 golos marcados;
  • Percentagem de jogos com mais do que 3,5 golos marcados;
  • Percentagem de equipas com uma diferença positiva entre golos marcados e sofridos.

Analisando o quadro em baixo, verificamos que, tendo por base o conjunto das 5 métricas, a Liga Holandesa (Eredivisie) apresenta-se como a mais espectacular seguida pela Liga Suíça (Super League). Os golos são o que qualquer adepto mais quer ver e ambas as ligas têm garantido nos últimos 5 anos pelo menos 3 por jogo.

De entre os chamados “Big-5”, a Bundesliga (Liga Alemã) apresenta-se como o campeonato com os maiores níveis de espectacularidade em termos de golos marcados nas últimas 5 épocas com uma grande contribuição por parte do FC Bayern Munchen. Contrariando a sua reputação de liga defensiva, a Serie A (Liga Italiana) surge logo atrás da Bundesliga quando consideramos este grupo.

Finalmente, a Liga Portuguesa (Liga NOS) surge na 15ª posição logo atrás da La Liga (Liga Espanhola) e dois lugares acima da Ligue 1 (Liga Francesa).

Notas:

  • Nos casos em que o modelo competitivo apresenta fases de playoff, foram apenas consideradas para esta análise as fases regulares pelo facto de incluirem todas as equipas e um maior número de jogos.
  • Devido à situação pandémica iniciada em 2020, a edição de 2019/2020 ou 2020 de alguns dos campeonatos analisados foi interrompida.r

 

O Football Industry lança hoje o primeiro de um conjunto de artigos que visam avaliar o equilíbrio e espectacularidade entre as 25 principais ligas europeias de acordo com o ranking actual da UEFA.

Foram avaliadas diferentes métricas relacionadas com pontuação, golos, resultados desportivos e financeiros e uma vertente macro de caracterização do campeonato entre as épocas 2015/2016 e 2019/2020, de modo a alcançar um modelo comparativo.

Neste primeiro artigo, abordaremos a vertente “Pontuação” procurando demonstrar as diferenças entre os referidos campeonatos e o seu nível de competitividade com base na mesma.

Assim, para esta primeira análise foram analisadas as seguintes métricas:

  • Número médio de pontos conquistados pelo 1º classificado;
  • Número médio de pontos conquistados pelo 1º classificado vs. 2º classificado;
  • Número médio de pontos conquistados pelo 1º classificado vs. 5º classificado (limiar médio de acesso às competições da UEFA);
  • Número médio de pontos conquistados pelo 1º classificado vs. Último classificado.

Analisando o quadro em baixo, verificamos que, tendo por base o conjunto das 4 métricas, a Liga Romena (Liga 1) apresenta-se como a mais competitiva seguida pela Liga Turca (Spot Toto Super League). De entre os chamados “Big-5”, a Serie A (Liga Italiana) apresenta-se como o campeonato com os maiores níveis de equilíbrio em termos de pontuação nas últimas 5 épocas. Finalmente, a Liga Portuguesa (Liga NOS) surge na 19ª posição logo atrás da Bundesliga (Liga Alemã) e dois lugares acima da Ligue 1 (Liga Francesa).

De outra perspectiva, quando olhamos para as métricas individualmente, constata-se que a Liga NOS é o 4º campeonato onde o campeão mais pontos acumula em média por jogo, atrás das ligas da Sérvia, Ucrânia e Grécia, respectivamente.

Relativamente à comparação entre os pontos médios alcançados por jogo pelos 1º e 2º classificados, a menor diferença é apresentada pela Eredivisie (Liga Holandesa) surgindo a Liga NOS, neste caso, na 5ª posição com um valor muito idêntico ao da Serie A (Liga Italiana). No entanto, quando comparamos o 1º e 5º classificados, verifica-se que a Liga Portuguesa surge apenas em 20º lugar apresentando uma diferença média bastante elevada.

Finalmente, ao comparar os pontos médios obtidos por jogo pelos 1º e último classificados, concluimos que a Liga Belga (Jupiler Pro League) apresenta a menor diferença surgindo a Liga NOS num modesto 19º lugar com uma das maiores disparidades médias.

Notas:

  • Nos casos em que o modelo competitivo apresenta fases de playoff, foram apenas consideradas para esta análise as fases regulares pelo facto de incluirem todas as equipas e um maior número de jogos.
  • Devido à situação pandémica iniciada em 2020, a edição de 2019/2020 ou 2020 de alguns dos campeonatos analisados foi interrompida.

 

Desde o momento em que surgiu a pandemia e os campeonatos foram interrompidos, rapidamente se observaram quedas no valor de mercado dos jogadores e se esperou um decréscimo e estagnação no mercado de transferências sustentado por um decréscimo nas receitas geradas dos clubes pela impossibilidade de participação dos adeptos. A partir desse momento, os clubes perderam receitas de bilhética (anual e jogo a jogo) e registaram decréscimos evidentes em receitas com quotas, inscrições, merchandising, entre outras.

Volume de Investimento

Quando analisamos o volume de investimento dos clubes das 5 principais ligas europeias (Premier League, Serie A, Ligue 1, La Liga e Bundesliga) verificamos que houve uma clara redução totalmente em contra-ciclo. Depois de um investimento recorde no mercado de inverno de 2020 (1.310 milhões de Euros em Janeiro), o mercado que terminou recentemente regrediu para valores perto dos de 2015 (3.310 milhões de Euros).

Analisando as ligas individualmente, a Premier League continua a ser o campeonato onde há maior investimento e também onde menos se notaram quebras (-10%). Em termos percentuais, a La Liga registou a maior quebra (-75%) não tendo existido, por exemplo, investimento por parte de clubes como o Real Madrid que neste defeso se revelou um clube vendedor registando cerca de 100 milhões de Euros com jogadores considerados excedentários e que haviam regressado de empréstimo.

Tipos de Transferência

O menor investimento do mercado de tranferências de 20/21 reflectiu-se também no tipo de contratações realizadas pelos clubes dando maior primazia a jogadores livres e emprestados. Em termos gerais, nos Big-5 o peso das contratações de jogadores livres cresceu 6,1% (32,3% em 2020) e dos jogadores emprestados 6,9% (30% em 2020).

Individualmente, no que se refere às contratações de jogadores livres, verificou-se um aumento significativo na Bundesliga (15,3%) tendo apenas decrescido na Premier League (-1,0%).

Relativamente a contratações por empréstimo, o maior crescimento registou-se na Serie A (12,9%) tendo apenas existido um decréscimo na Ligue 1 (-1,6%).

Preço de Aquisição dos Jogadores

De acordo com dados do CIES, o impacto do COVID registou-se fundamentalmente no abrandamento do investimento global dos clubes como verificámos anteriormente. A pandemia levou a que uma inflação anual de cerca de 15% entre 2015 e 2019 tenha decrescido para 6% no último ano.

Embora os preços praticados tenham continuado a aumentar apesar da pandemia, verificou-se o reforço da introdução de cláusulas com base em objectivos sendo pagas determinadas verbas apenas se os jogadores e/ou clubes compradores atingirem determinados objectivos desportivos. Verificou-se também a inclusão mais frequente de atribuição de uma percentagem ao clube vendedor em futuras transferências dos atletas. Assim, num periodo de maior incerteza e menor capacidade de investimento, os clubes optaram por soluções criativas de modo a obterem as contratações desejadas e a melhor gerirem o fundos existentes.

O Comportamento da Liga NOS

Como sabemos, a Liga NOS é historicamente um campeonato economicamente vendedor. Neste mercado, os clubes portugueses contrataram 361 atletas por um valor médio de 405 mil Euros e viram sair dos seus plantéis 283 jogadores por um valor médio superior a 889 mil Euros.

Nestes números incluem-se os empréstimos. Neste período os clubes do campeonato nacional emprestaram 121 jogadores tendo recebido 180 nestas condições.

Quando comparamos estes dados com o mercado de verão de 2019, verificamos que nesse período contrataram 367 jogadores por um valor médio de 388 mil Euros e viram sair 362 atletas por um valor médio de 1,1 milhões de Euros. Ou seja, o investimento médio por jogador em 2020 foi semelhante ao de 2019 mas a receita proveniente das vendas decresceu. Relativamente aos empréstimos, receberam 169 atletas e viram sair 148 nestas condições, números inferiores aos do mercado de 2020 sublinhando o aumento desta estratégia devido à pandemia e à menor capacidade financeira.

Balança Comercial das Ligas

De acordo com dados do Transfermarkt, de entre as ligas analisadas, os clubes da Premier League, Serie A e Ligue 1 gastaram mais do que receberam em transferências de atletas. A Liga NOS, baseando-se no seu perfil vendedor, apresentou um balanço positivo entre compras e vendas na ordem dos 105 milhões de Euros.

Com o final da Premier League conquistada pelo Liverpool 30 anos depois e com Jamie Vardy como principal artilheiro, apresentamos-lhe a relação entre a valorização dos plantéis e a posição alcançada no campeonato bem como o impacto na referida valorização devido à pandemia do COVID-19.

O grande vencedor nesta análise é, sem dúvida, o Sheffield United ao alcançar a 9ª posição no campeonato apresentando o plantel com o menor valor de mercado (47 milhões de Euros em 07/2019 e 120 milhões em 07/2020). Para este feito, muito contribuiram as boas exibições de Chris Basham, John Egan, Jack O’Connell e Oliver McBurnie. Recordamos que o Sheffield United, na presente época, apresentou também o salário médio por jogador mais baixo da competição conforme apresentámos anteriormente aqui.

O Burnley destacou-se igualmente alcançando a 10ª posição no campeonato com o 5º plantel menos valorizado no início da competição e o 4º salário médio por jogador mais baixo da Premier League.  Na época que agora terminou, destacaram-se fundamentalmente James Tarkowski, Dwight McNeil e Chris Wood com 14 golos marcados.

Por outro lado, as grande desilusões acabaram por ser o West Ham e o Bournemouth que, com plantéis actualmente avaliados em cerca de 288 e 247 milhões de Euros, respectivamente, e o 9º e 11º mais valiosos no início da temporada, não foram capazes de abandonar o 16º e 18º lugares da liga inglesa.

Entre 1 de Abril e 15 de Junho os valores de mercado dos plantéis sofreram uma quebra abrupta devido à pandemia, na ordem dos 18%, com o principal prejudicado a ser o Manchester City devido à desvalorização dos seus jogadores em cerca de 244 milhões de Euros. Com o reatamento dos campeonatos estes valores têm vindo lentamente a subir em alguns casos.

Valores de mercado correspondentes a 15/07/2019 e 15/07/2020.

Desvalorização COVID-19 – diferença entre o valor de mercado a 01/04/2020 e 15/06/2020.

Valores em milhões de Euros.

A presente conjuntura criada pelo COVID-19, constitui uma possível mudança e oportunidade/desafio no mercado de patrocínios da indústria do futebol. Face aos recentes acontecimentos, muitas marcas decidiram reavaliar as suas estratégias e os contratos em vigor.

De acordo com dados da KPMG, o valor de patrocínios nas 5 principais ligas europeias (Bundesliga, La Liga, Ligue 1, Premier League e Serie A), os que mais atraem as marcas, ascende a 3.300 milhões por ano sendo que um terço corresponde ao patrocínio da frente das camisolas.

A Premier League destaca-se claramente gerando 832 milhões de Euros anualmente, quase o dobro da La Liga com 436 milhões de Euros por ano. O gráfico em baixo permite também ver a diferença de realidades face a outras ligas como a turca (SuperLig) e a holandesa (Eredivisie).

Tal como sucede com outros fluxos de receita, existe também polarização dentro de cada liga. A título de exemplo, os 6 principais clubes da Premier League agregam 83% do valor total do campeonato e, em Espanha, Real Madrid e Barcelona reúnem 80% do valor. Os elevados valores recebidos por estes clubes ultrapassam, inclusive, os globais de ligas como a SuperLig e a Eredivisie.

Artigo originalmente publicado em www.totalfootballanalysis.com.

Após analisar a Barclays Premier League, observamos hoje a relação entre o desempenho desportivo e o salário anual médio pago por jogador pelos clubes da Serie A italiana.

Numa primeira fase, iremos analisar individualmente cada época entre 2016/2017 e 2019/2020 (até à jornada 29) de modo a aferir quais os clubes que atingiram melhores resultados entre estas duas variáveis. De seguida, examinaremos os 15 clubes que permaneceram na Serie A durante este período e como se comportaram desportivamente face ao salário médio pago por jogador.

2016/2017

Na edição de 2016/2017 da liga italiana, a Juventus (quem mais poderia ser?) sagrou-se campeã apresentando o salário anual médio por jogador mais elevado.

De uma perspectiva positiva, a Atalanta alcançou a 4ª posição na competição com apenas o 14º salário mais elevado. No lado oposto, o Genoa foi o caso de menor sucesso terminando a liga no 16º lugar com o 8º salário médio mais alto.

A Juventus, a AS Roma, o Torino e o Sassuolo apresentaram a mesma posição no ranking de salários por jogador e na competição.

2017/2018

Na época seguinte, a Juventus venceu uma vez mais a liga italiana com o salário anual médio por jogador mais alto.

A Alatanta foi novamente a surpresa alcançando a 7ª posição no campeonato apenas com o 13º salário médio mais elevado. Pelo contrário, o AC Milan, o Bologna e o Hellas Verona foram os casos de menor sucesso: o gigante de Milão terminou o campeonato na 6ª posição com o 2º salário anual médio mais elevado, o Bologna alcançou o 15º posto com o 11º salário mais elevado, e o Hellas Verona terminou na 19ª posição com o 15º valor mais elevado.

Apenas a Juventus apresentou a mesma posição na liga e no ranking de salários.

2018/2019

A época passada não fugiu à regra e a Juventus venceu novamente o campeonato apresentando também, uma vez mais, o salário médio mais elevado.

No lado positivo, a Atalanta alcançou o 3º posto com apenas o 13º salário médio por jogador mais alto. De uma perspetiva negativa, a Fiorentina foi o caso de menor sucesso terminando a liga na 16ª posição com o 8º salário médio mais elevado.

A Juventus, o Torino, a Sampdoria, o Bologna e o Frosinone apresentaram as mesmas posições no ranking de salários e no campeonato.

2019/2020

Com 24 jogos realizados, a Juventus está muito perto de alcançar novo título com o salário médio por jogador mais elevado.

De uma perspectiva positiva, o Hellas Verona tem realizado um campeonato incrível encontrando-se na 7ª posição com o 2º salário médio por jogador mais baixo da liga. No lado oposto, o Torino é, até ao momento, a desilusão encontrando-se no 14º lugar apresentando o 7º salário médio mais elevado.

Apenas a Juventus e o Internazionale têm ocupado as mesmas posições no campeonato e no ranking de salário médio por jogador.

2016/2017 a 2019/2020 – Que clube melhor rentabiliza o salário pago aos seus jogadores

Por ultimo, analisamos o desempenho e salários dos 15 clubes que permaneceram na Serie A entre 2016/2017 e 2019/2020.

A gigante Juventus, habitual campeã, é o clube com o salário anual médio por jogador mais elevado. A Atalanta com recentes campanhas brilhantes, é o clube com mais sucesso quando comparamos o seu desempenho desportivo com o salário anual médio pago por jogador, tendo alcançado, em média, o 5º lugar apenas com o 13º salário médio mais elevado.