PARTE 2 – ANÁLISE GLOBAL (Continuação)
3.Ranking por tipo de receita
Analisando as receitas dos clubes que fizeram parte do Top 20 da Deloitte Football Money League 2013 por tipo de receita (bilheteira, direitos tv e comerciais), verifica-se que o Real Madrid liderou as receitas de bilheteira e direitos televisivos em 2011/2012 mas o Bayern Munich alcançou receitas comerciais mais elevadas. É também relevante salientar a maior importância dos clubes ingleses nas receitas de bilheteira surgindo o Manchester United e o Arsenal à frente de clubes como o Barcelona, o Bayern Munich e o AC Milan.
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Comparando os anos de 2005 e 2013, nos casos em que é possível, denota-se, por exemplo, que a evolução do Manchester United se deveu maioritariamente ao crescimento das suas receitas comerciais tendo o mesmo sucedido no caso do Barcelona e do Manchester City.
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Nota: Em 2005 a Deloitte optou por apresentar conjuntamente as receitas de bilheteira e direitos televisivos do Bayern Munich.
 
4.Peso dos primeiros do ranking no total de receitas e diferença entre o primeiro e último classificados
O peso dos primeiros clubes do ranking face às receitas totais dos 20 clubes tem vindo a aumentar. Exemplo disso é o Real Madrid que em 2005 era responsável por 8% das receitas e em 2013 por 11% observando-se uma maior polarização mesmo entre os clubes que compõem o ranking da Deloitte.
Esta situação é também verificada através da diferença entre as receitas do primeiro e último classificados. Enquanto que em 2005 o 20º e último classificado (Aston Villa) apresentava 33% das receitas do primeiro (Manchester United), em 2013 o Newcastle United apenas conseguiu gerar 22% das receitas alcançadas pelo líder Real Madrid.
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PARTE 1 – ANÁLISE GLOBAL
Foi recentemente publicado o relatório “Deloitte Football Money League 2013” relativo à época 2011/2012. Este estudo, desenvolvido pela consultora Deloitte, analisa as principais receitas operacionais dos clubes nas quais se incluem as que se relacionam com bilheteira, direitos televisivos e comerciais (patrocínios, publicidade e merchandising) não considerando as receitas com transferências de jogadores.
Na edição de 2013, o Real Madrid tornou-se o primeiro clube do Mundo a ultrapassar a barreira dos 500 milhões de Euros em receitas liderando o ranking desde 2006 e tendo mais do que duplicado as referidas rúbricas nos últimos oito anos. Simultaneamente, os clubes que compõem os primeiros seis lugares permaneceram os mesmos pelo quinto ano consecutivo.
Globalmente, os clubes do Top 20, geraram mais de 4,8 mil milhões de Euros correspondendo a um aumento de 10% face à época 2010/2011 sendo responsáveis por mais de um quarto das receitas totais do mercado europeu de futebol. O crescimento verificado é notável tendo em conta a situação económica actual sendo apenas ultrapassado pelo verificado na edição de 2008.
As principais alterações verificadas prenderam-se com a subida do Manchester City do 12º para o 7º posto, a passagem da Juventus da 13ª para a 10ª posição, a subida do Borussia Dortmund do 16º para o 11º lugar e a passagem do Napoli do 20º para o 15º posto. É também importante salientar a descida do Internazionale do 8º para o 12º lugar, do Tottenham do 13º para o 11º, do Schalke 04 do 10º para o 14º e da AS Roma do 15º para o 19º lugar.
Outro aspecto relevante é o facto de sete dos clubes presentes no ranking de 2013, terem registado quebras nas suas receitas face ao ano anterior. Contudo, este decréscimo deveu-se sobretudo a um decréscimo nas receitas de bilheteira e direitos televisivos no seguimento de um menor sucesso desportivo. Um exemplo desta situação é o Internazionale que registou uma quebra de 12% nas suas receitas após ter alcançado o sexto lugar no campeonato e os oitavos-de-final na UEFA Champions League em 2011/2012 comparativamente com o segundo lugar no campeonato e os quartos-de-final da UEFA Champions League alcançados na época anterior. O exemplo oposto é o Manchester City que aumentou as suas receitas em 68%, ascendendo cinco lugares no ranking, tendo mais do que duplicado as suas receitas comerciais e aumentado também significativamente as restantes pelas suas melhores prestações desportivas (conquista do campeonato, participação na fase de grupos da UEFA Champions League e oitavos-de-final da UEFA Europa League em 2011/2012).
Outra novidade prende-se com a presença do Corinthians no grupo de clubes logo após o Top 20 como representante dos campeonatos não europeus devido a um aumento das receitas comerciais e de direitos televisivos dos principais clubes Brasileiros, facto que não é alheio à realização do Campeonato do Mundo no Brasil em 2014.
1. Ranking Deloitte Football Money League 2005-2013 (valor e taxa de crescimento)
Apresentam-se de seguida os clubes que fizeram parte do Top 20 entre 2005 e 2013. Verifica-se que do Top 6 de 2013, o Barcelona é o clube que tem apresentado um crescimento médio mais elevado (14%) tendo o seu rival Real Madrid crescido, em média, 10% por ano. Globalmente, o Manchester City e o Borussia Dortmund apresentaram as taxas médias mais elevadas embora o segundo tenha feito parte do ranking apenas por 3 vezes durante o período em análise.
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Nota: valores em milhões de Euros.
2.Evolução da posição no ranking 2005-2013
Apresentamos também a evolução da posição dos clubes no ranking da Deloitte que fizeram parte do mesmo entre 2005 e 2013. Na tabela em baixo é possível constatar o crescimento de alguns clubes como o Manchester City (20º lugar em 2009 vs. 7º lugar em 2013)  e o Borussia Dortmund (18º lugar em 2010 vs. 11º lugar em 2013) ao longo dos anos analisados.
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O conceito de Financial Fair Play (FFP) foi aprovado pela UEFA em Setembro de 2009 tendo em Maio de 2010 sido aprovada a primeira edição da UEFA Club Licensing and Financial Fair Play Regulations agregando os regulamentos de licenciamento dos clubes e os requisitos de monitorização financeira dos mesmos.
Relativamente aos critérios do sistema de licenciamento dos clubes, estes podem ser divididos em cinco áreas: desportivos, de infraestruturas, de pessoal, legais e financeiros.
O conceito base do FFP procura garantir e cimentar a sustentabilidade a curto e longo-prazo do futebol em geral e dos clubes em particular. A UEFA pretende consegui-la através da promoção de uma maior disciplina financeira e realização de despesas e investimentos sustentados de modo a que os clubes tenham sempre em mente o longo-prazo.
Os regulamentos do FFP consistem num conjunto de padrões de qualidade que cada clube deve apresentar de modo a poder participar nas competições europeias e em princípios chave de transparência, integridade, aptidão e credibilidade.
De modo a implementar o sistema com sucesso na Europa, a UEFA faculta às associações de futebol nacionais o apoio financeiro e técnico necessário. Estes organismos receberam até ao final da época 2011/2012 cerca de 100 milhões de Euros do fundo de solidariedade da UEFA.
Os objectivos fundamentais do Financial Fair Play são então os seguintes:

  • Melhorar a capacidade financeira e económica dos clubes aumentando a sua transparência e credibilidade;
  • Atribuir a importância necessária à protecção dos credores assegurando que os clubes saldam as suas dívidas para com jogadores, Estado e outros clubes dentro do intervalo de tempo estipulado;
  • Introduzir mais disciplina e racionalidade nas finanças dos clubes;
  • Proteger a viabilidade e sustentabilidade a longo-prazo do futebol europeu;
  • Encorajar investimentos sustentáveis de modo a proteger o futebol a longo-prazo;
  • Encorajar os clubes a operar com base em receitas próprias.

Os clubes são avaliados relativamente aos requisitos de break-even em três períodos de reporte financeiro: o período que termina no ano em que as competições de clubes da UEFA se iniciam (T) e os dois períodos semelhantes anteriores a este (T-1 e T-2). Assim, a título de exemplo, o período de monitorização avaliado na época de 2015/2016 cobrirá os períodos de reporte que terminam em 2015 (T), 2014 (T-1) e 2013 (T-2). A excepção prende-se apenas com a época 2013/2014 que cobre apenas dois períodos (os que terminam em 2013 e 2012).
O déficit máximo agregado de break-even permitido é de 5 milhões de Euros. No entanto, a UEFA definiu determinados desvios admissíveis desde que estes sejam cobertos por contribuições dos participantes no capital próprio e/ou partes relacionadas:

  • 45 milhões de Euros para os períodos de monitorização avaliados nas épocas 2013/2014 e 2014/2015;
  • 30 milhões de Euros para os períodos de monitorização avaliados nas épocas 2015/2016, 2016/2017 e 2017/2018;
  • Um valor inferior a 30 milhões de Euros para os períodos seguintes (ainda por confirmar).

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No primeiro período de monitorização, que terá efeito na época 2013/2014, há, no entanto, algumas excepções para os clubes que excederem o desvio máximo aceite. Assim, não serão sancionados os clubes que reportarem uma tendência positiva do seu break-even anual e/ou provarem que o seu déficit agregado deve-se apenas ao déficit anual do período que termina em 2012 (2011/2012), que por sua vez se encontra relacionado com contratos firmados com jogadores antes de 01 de Junho de 2010.
Os clubes são também avaliados de acordo com quatro indicadores de modo a concluir se necessitam de disponibilizar informação detalhada adicional para que sejam alvos de uma monitorização ainda mais específica. Se um clube violar um ou mais indicadores terá que disponibilizar informação financeira detalhada do período corrente (T) e orçamentos actualizados para os períodos futuros incluindo um plano para o cumprimento dos requisitos de break-even em T+1. Os indicadores são:

  1. Going concern: O relatório do auditor inclui um parecer que revela preocupação com a capacidade financeira da empresa.
  2. Capitais próprios negativos.
  3. Resultado de break-even: O clube reporta um break-even em déficit em T-1 ou T-2.
  4. Pagamentos em atraso: O clube reporta pagamentos em atraso a 30 de Junho do ano em que as competições da UEFA se iniciam.

Os clubes poderão ter que disponibilizar mais informações quando:

  • Os custos com pessoal excederem 70% das receitas totais;
  • O passivo líquido excederem 100% das receitas totais.

Caso os clubes não cumpram as normas do Financial Fair Play, a UEFA poderá aplicar-lhes multas ou excluí-los das competições europeias.
FONTES: UEFA Club Licensing and Financial Fair Play Regulations Edition 2012; Financial Fair Play Media Information – 25 January 2012
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