Análise de Jogo – SL Benfica vs. Sporting CP0

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O SL Benfica jogou no seu habitual 4-4-2 com: GR Oblak; DD Maxi, DCD Luisão, DCE Garay, DE Siqueira; MDC Fejsa, MC Enzo Pérez, MOD Markovic, MOE Gaitán; AVs Lima e Rodrigo. O Sporting CP apresentou-se também num 4-4-2 com: GR Patrício; DD Cédric, DCD Maurício, DCE Rojo, DE Piris; MDC Dier, MC Adrien, MOD André Martins, MOE Heldon; AV Montero; PLC Slimani.

Organização ofensiva SL Benfica vs Organização defensiva Sporting CP

O Sporting apresentou-se num bloco curto médio/médio alto, porém semi-passivo. Para não ficar de 2×2 na primeira fase, o Benfica fez sempre recuar Fejsa virando o jogo ora para Luisão ora para Garay e aquele que se soltasse subia no terreno. Para responder à linha defensiva e de meio-campo muito juntas do Sporting, o Benfica optou ora por jogar em bolas longas nas costas dos laterais, com diagonais ora de Lima ora de Gaitán, ou também Garay virava por completo o centro do jogo. Como estes meios não estavam a resultar, o Benfica passou a insistir no jogo curto. Enzo Perez começou a receber muitas bolas entre a linha de meio-campo e a ofensiva do Sporting, mas não foi aqui que me parece que Leonardo Jardim errou. Apesar de me parecer que bastava recuar os dois avançados para pressionarem nesta zona visto que nunca conseguiram pressionar a primeira linha do Benfica. Quando Pérez recebia vimos principalmente Adrien a sair da sua posição abrindo espaços para que os restantes quatro jogadores ofensivos do Benfica recebessem. O Sporting apresentou-se com uma defesa posicional que depois se desfazia com Adrien a sair da sua posição, Heldon a recuar por vezes para acompanhar Maxi, mesmo sem mais nenhum jogador naquele corredor, e isso favoreceu o carrossel do Benfica. Quando se defende desta forma posicional tem que se ocupar espaços e cortar linhas de passe. Se temos um jogador do corredor central a deixar de fazer esta função para fazer contenção, tem de o fazer ou com o seu adversário de costas para o jogo ou pressionando de forma e entrar em desarme para que o adversário não consiga fazer um passe entre linhas.

Transição ofensiva Sporting CP vs Transição defensiva SL Benfica

Quando um adversário dá o domínio ao adversário, se este atacar de uma forma equilibrada, favorece em muito no momento da sua perda. O Benfica nem sempre estava equilibrado para reagir rápido à perda da bola, mas o Sporting teve muitas dificuldades para sair em contra-ataque. E acaba por ser em duas saídas para o ataque que, estando o Sporting pressionado por uma reacção do Benfica ainda no terço defensivo, surgem os golos. A reacção não foi muito rápida, mas Adrien sem ninguém por perto, para passar, arrisca no 1×1. No segundo golo um passe sem oposição mal feito para Magrão, acaba por colocar a bola nos pés de Enzo Perez.

Organização ofensiva Sporting CP vs Organização defensiva SL Benfica

O Benfica defendeu num bloco alto activo. Pressionando desde logo a saída de bola do Sporting, os defesas (não arriscaram) limitaram-se a jogar longo, ora para as costas dos laterais ora para a referência Slimani. As bolas nas costas da defesa deram maioritariamente “vitória” para o Benfica. Pela direita, André Martins nunca foi perigoso. E destas bolas longas apenas uma chegou aos pés de Heldon que cruzou rápido para a área. Slimani foi o jogador que de costas para a baliza mais duelos ganhou aos centrais dos encarnados, conseguindo guardar e devolver de frente para o apoio Montero. Quando foi possível ter bola em Montero e Adrien, estes procuraram principalmente Heldon. De 1×1 foram muitas as vezes que conseguiu cruzar e mesmo ultrapassar Maxi, com Luisão muito bem na área a defender os cruzamentos. André Martins à direita acabou por ser uma opção nula. Nem recebia no jogo central, e foi inofensivo perante Siqueira e com isto parece-me também que Cedric ficou prejudicado a nível ofensivo. Adrien quando recebia tinha os seus colegas muito longe e vimos diversas vezes Adrien + Dier perante o “losango” benfiquista, dando assim grande vantagem ao meio-campo dos encarnados.

Transição ofensiva SL Benfica vs Transição defensiva Sporting CP

Os leões tentavam reagir rápido à perda da bola, mas pareceu-me ressentirem-se não só de não poder contar com William Carvalho, mas principalmente do novo sistema. Quando se encontravam longe da bola permitiam o contra-ataque ao Benfica, e quando esta estava perto as águias acabavam por sair da situação. Como o Sporting deixava sempre 4 a 5 elementos no equilíbrio, o Benfica saia para o contra-ataque mas tinha dificuldades em chegar a área adversária em condições para fazer golo.

Acontecimentos:
O Benfica percebendo que o Sporting lhe permitia trocar a bola, começou a rodar diversas vezes os jogadores de posição. Primeiro apenas Markovic e Gaitan trocavam de flanco. Com o adiantar do jogo, começámos a ver também Markovic e Gaitan a trocarem com Lima e Rodrigo. Estes movimentos acabaram por dificultar na tal zona (não) posicional do Sporting.

O Benfica marcou o primeiro golo e baixou ligeiramente na primeira fase. Na segunda parte vimos mesmo os encarnados a baixarem para um bloco médio deixando o Sporting organizar jogo. Passámos então a ver aquilo que esperávamos quando vimos Slimani e Montero em campo. Que fizessem movimentos de aproximação ao redor de Fejsa (ora à direita, ora à esquerda, ora até nas costas). Mas até aqui o Benfica mudou relativamente a épocas anteriores. Garay acompanhava Montero (e quando este já estava na zona de Fejsa, deixava para este marcar. E Luisão acompanhava sempre Slimani). Este foi mesmo o melhor período do Sporting.

Capel entrou para jogar do lado direito entrando para o lugar de André Martins mas também não se viu em campo. O Benfica já não tinha capacidade para pressionar o Sporting e estes aproveitavam para subir no terreno, jogando ora com os dois avançados ora com Heldon a desequilibrar na esquerda, quando Jardim decide fazer uma substituição que favoreceu o Benfica. Magrão entra para o lugar de Piris. Até ao 2-0 vimos Magrão a jogar a defesa esquerdo e Dier a recuar para terceiro central. Os centrais do Sporting agora acompanhavam os movimentos de aproximação dos avançados do Benfica, sabendo que continuava com dois jogadores no corredor central da defesa. Ainda assim vimos que os leões não estavam habituados a este modo de defender começando a denotar-se distâncias entre os centrais. O problema maior foi que durante esse tempo Adrien ficou sozinho no meio campo, no corredor central. O 2-0 acabou por surgir e Jardim voltou a mexer. Rojo passou mesmo para defesa esquerdo e Magrão para médio centro (digamos que acabou por jogar como interior esquerdo, defendendo muito longe de Adrien quando a bola estava do lado direito). Após o segundo golo, Rúben Amorim entrou para reforçar o meio-campo, e Enzo passou a fazer as funções do segundo avançado. Carlos Mané ainda entrou cheio de vontade, mas sozinho nada conseguiu fazer já com o resultado feito.

Devemos dar os parabéns aos responsáveis da segurança que decidiram adiar o jogo mas gostaria de saber como teria decorrido no domingo com o factor surpresa Slimani + Montero. Da parte do Benfica, a surpresa foi a exibição de Fejsa que fez passes entre-linhas como ainda não tínhamos visto nesta temporada. Parece-me que a estratégia do Sporting não foi inadequada, mas sim a forma como a implementou em campo pois reduzir os espaços entre-linhas é um dos modos fundamentais para derrotar os encarnados. Tal como fazer movimentos de aproximação por parte do avançado centro. A pergunta que se coloca é: será que veremos um Sporting em 4-4-2 e a pressionar a primeira fase das equipas de menor dimensão?

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Escrito por: Carlos Rocha

Analista de Futebol, Mestre em Treino Desportivo pela Faculdade Motricidade Humana.

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