Análise de Jogo – SL Benfica vs. FC Porto0

análise_jogo

O SL Benfica começou o jogo num 4-4-2 com GR – Oblak; DD Maxi, DCD Luisão, DCE Garay, DE Siqueira; MDC – Matic, MC Enzo, MAD Markovic, MAE Gaitán; AVs Lima e Rodrigo. O FC Porto jogou num 4-3-3 com dois médios mais defensivos: GR Helton; DD Danilo, DCD Otamendi, DCE Mangala, DE Alex Sandro; MDC Fernando, MC Lucho, MOF Carlos Eduardo; ED Varela, EE Licá, AV Jackson.

Organização ofensiva SL Benfica vs. Organização defensiva FC Porto

Nas poucas vezes que o SL Benfica tentou sair a jogar, o FC Porto pressionou sempre a saída de bola pelo corredor central dos encarnados. Os extremos marcavam os laterais, Garay com Jackson à sua frente era obrigado a passar a Luisão e Carlos Eduardo efectuava um pressing forte obrigando o central brasileiro a jogar longo. Digamos que o SL Benfica nunca arriscou jogar curto e a meio-campo durante todo o jogo. A equipa lisboeta tentava ganhar a segunda bola sem se desposicionar, e desde cedo se percebeu que a referência de ataque eram as costas da defesa do FC Porto para a entrada dos dois avançados mas também de Markovic e algumas vezes de Gaitán. Assim, o SL Benfica jogou sempre em ataques rápidos, raramente envolvendo os laterais, com passes de rotura, muito bem defendidos, diversas vezes por Helton. O 1-0 surgiu cedo aos 11 minutos numa jogada em que Markovic, fechando no corredor central recupera a bola, avança no terreno quase sem oposição e desmarca Rodrigo nas costas da defesa com um passe curto.

Transição ofensiva FC Porto vs Transição defensiva SL Benfica

Este foi um acontecimento que ficou traduzido no jogo pela forma de atacar do SL Benfica. Como envolvia poucos jogadores no ataque, e com muitos passes longos, permaneciam vários elementos atrás da linha da bola. Mesmo assim, nas poucas vezes que o FC Porto recuperava a bola em condições de sair em contra-ataque, o SL Benfica teve uma boa reacção. O amarelo de Matic é um exemplo de como a equipa se preocupou em não sofrer contra-ataques.

Organização ofensiva FC Porto vs Organização defensiva SL Benfica

Este foi o momento que ocupou mais tempo do jogo, também por estratégia do Benfica. Os encarnados começaram por defender num bloco médio (sector) médio (distância entre linhas). Com três linhas bem definidas, sempre que a bola entrava em Otamendi, era o momento da pressão. Otamendi é um jogador que, quando pressionado, falha imensos passes e voltou a demonstrá-lo neste jogo. Inicialmente, vimos também os dois alas a fecharem muito no corredor central. Fernando e Lucho quando recebiam a bola eram imediatamente pressionados, nem que para isso soltassem os restantes companheiros. Era fácil colocar a bola nos corredores laterais, contudo, o jogo ficava longe de Lucho e Fernando. Com os avançados  do SL Benfica preocupados em que a bola não voltasse aos centrais, novamente, o FC Porto procurava o jogo em profundidade pelos corredores o que acabou na maioria das vezes em recuperação para o SL Benfica. Os encarnados tinham como forte o lado da bola, desvanecendo o lado contrário, mas como este FC Porto raramente varia o corredor de jogo na segunda fase, acabou por ser fácil para o SL Benfica defender. E nas poucas vezes que o FC Porto virou o jogo em bola longa para o lado contrário, acabou por desequilibrar os lisboetas.

Jackson inicialmente ainda fez movimentos de aproximação, em zonas não defendidas por Matic, mas os centrais encarnados acompanhavam, e algumas vezes antecipavam, deixando os dragões de optar por esta alternativa. Com o SL Benfica a baixar ligeiramente o bloco, e pressionando Fernando e Lucho, o FC Porto conseguia bascular entre os centrais, procurava normalmente Danilo, Varela fazia movimento interno (acompanhado por Siqueira), Carlos Eduardo efectuava várias diagonais, sempre acompanhado por Matic, mas apenas por uma vez os dragões conseguiram encontrar Lucho solto neste espaço criado por Carlos Eduardo. E mesmo Lucho quando encontrou espaços para jogar, não tendo colegas por perto para jogar, acabou por decidir longo, sendo fácil de defender por parte do Benfica.

Percebendo esta pressão sobre Fernando e Lucho, o FC Porto passou a organizar jogo com três centrais. Fernando recuava para central e Enzo falhou duas vezes o pressing (uma em Fernando e outra em Mangala) e Lucho recebeu sozinho, mas voltou a efectuar um passe longo e fácil para o SL Benfica. Percebendo o desequilíbrio, o SL Benfica corrigiu. Enzo jogava agora lado a lado com Matic. Fernando recuava no 3×2, saía a jogar por Mangala e o SL Benfica tinha agora 4×4 no meio-campo (dois laterais mais Lucho e Carlos Eduardo vs. os quatro médios das águias). Contudo, as duas vezes em que Mangala saiu a jogar, também deram em bola para os da casa.

Transição Ofensiva SL Benfica vs Transição defensiva FC Porto

É complicado parar as transições quando uma equipa procura tantas vezes sair em contra-ataque e em bolas nas costas da defesa. Mas a reacção à perda da bola e a forma afastada como se encontram os jogadores do FC Porto no processo ofensivo, acaba também por dificultar esta tarefa. O FC Porto já não reage tão rápido como em anos anteriores, mas também não está tão preparado como antes, e não me parece que seja só a falta de João Moutinho, fundamental neste processo.

Acontecimentos: Na segunda parte o FC Porto repetia a primeira fase em 3×2 mas agora os centrais já não avançavam com a bola, colocando nos laterais, continuando a manter o seu jogo afastado do corredor central. Mesmo quando os dragões efectuaram diagonais internas, o SL Benfica acabou por não se desposicionar. Aos 8 minutos, o SL Benfica faz o 2-0 num canto. Quaresma entra e fez logo a diferença com o seu estilo. Recebe e procura logo orientado para a frente e sem receio no 1×1. As àguias alteraram ligeiramente denotando-se a preocupação com as dobras e situações de 2×1 a Quaresma. Parece-me que este Quaresma a jogar mais à frente a desequilibrar, ou a provocar adversários para si, para poder desmarcar outros colegas, será uma mais valia para o FC Porto. O SL Benfica passou a ser passivo na primeira fase defensiva, e Fernando voltou ao meio-campo, deixando para os centrais a variação do corredor de jogo. Josué entra e recua Carlos Eduardo para a posição de Lucho. Fernando vinha buscar ao lado direito, deixava nos centrais, variavam o corredor de jogo onde Carlos Eduardo recebia sob pressão de Enzo. Começaram a ser notórios os espaços entre Matic e Markovic. O espaço no corredor central era imenso, e mesmo com Josué fresco, o Porto raramente conseguiu aproveitar estes espaços. A expulsão de Danilo foi o culminar do jogo dando a vitória ao SL Benfica.

Um FC Porto mais ofensivo, com mais bola, a assumir o jogo mas inofensivo. Um SL Benfica bem estruturado defensivamente, a procurar os contra-ataques e a ganhar. Oportunidades de golo? Jackson duas vezes ao primeiro poste vindo de cruzamentos e um remate (fraco) à entrada da área. Para os encarnados, além dos golos, Rodrigo, Markovic e Enzo apareceram na área em boas condições de marcar. Será que houve diferenças relativamente ao ano passado? Ou se o resultado fosse o mesmo, hoje estaríamos a criticar novamente Jorge Jesus? Será que foi apenas o golo aos 93 minutos que foi diferente? Nesta profissão, para muitos, o que conta são os golos. E são estes que fazem com que os treinadores passem de heróis a vilões e de vilões a heróis!

 

Siga-nos no Facebook! https://www.facebook.com/FootballIndustry

Escrito por: Carlos Rocha

Analista de Futebol, Mestre em Treino Desportivo pela Faculdade Motricidade Humana.

Deixe uma opinião


*

Pode usar algumas das tags HTML e atributos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>