Análise de Jogo – Manchester City vs. Chelsea0

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O Manchester City FC iniciou o jogo num 4-4-2 com GR Hart; DD Zabaleta, DCD Kompany, DCE Nastasic, DE Kolarov; MDC Demichelis, MC Toure, MOC Silva, MOD Navas; AV: Negredo e Dzeko. O Chelsea FC jogou num 4-2-3-1 com GR Cech; DD Ivanovic, DCD Cahil, DCE Terry, DE AZpilicueta; MDD D. Luiz, MDE Matic; MOD Ramires, MOC Willian, MOE Hazard; Av Eto’o.

Organização Ofensiva Manchester City vs Organização defensiva Chelsea

Este foi o momento do jogo que mais vezes ocorreu durante o jogo e onde assistimos a mais uma vitória estratégica do treinador Mourinho. Na primeira fase de construção do City, o Chelsea diversificou a sua forma de defender. Ora pressionava, e aumentava a sua pressão quando os médios recebiam a bola de costas, acabando estas jogadas em bolas recuperadas para o Chelsea ou em jogo longo por parte do City (Demichelis e Nastasic demonstraram muitas dificuldades sob pressão). Quando não pressionava, baixava as linhas para um bloco curto médio/médio baixo. Willian era a primeira linha no corredor central ficando encarregue de Demichelis e Toure (com maior atenção para este segundo jogador). David Luiz e Matic esqueciam o posicionamento zonal e marcavam Silva nesta segunda linha do meio-campo, nem que para isso tivessem de aumentar a distância entre um e outro.  Silva é, na minha opinião, o jogador mais importante da equipa na fase de construção e criação de oportunidades. Mourinho abdicava por vezes de pressionar o portador da bola para marcar este. Foi deste modo que Mourinho parou o jogo entre linhas do City. Mesmo quando Toure subia para a linha de Silva, ficavam 2×2 com Matic (a marcar Toure) e D. Luiz (a marcar Silva).

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Com grandes preocupações ao nível do corredor central. os corredores laterais acabaram por ser a resolução inevitável. Logo ao início, por três vezes o City atacou em 3×2. Como Hazard não recuava, Matic dividia entre o meio e a esquerda onde aparecia Navas, Silva ou Toure e um avançado. Curiosamente era assim que o City estava a criar perigo, e deixou de atacar deste modo. O City também se conteve perante este Chelsea. Zabaleta não subiu como é costume ficando na marcação a Hazard, mesmo no momento ofensivo.

Do lado contrário Kolarov entrava sempre em overlap e cruzando para a área.

Outro aspecto que considerei fundamental: apesar de Silva jogar por dentro, nunca vimos Ivanovic vir fazer a marcação ao meio-campo. Ainda assim assistíamos a um 3×3 no corredor central. Mas quando Navas vinha ao corredor central, Azpilicueta acompanhava logo por trás igualando novamente o meio-campo.

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Nos cruzamentos o Chelsea defendeu (mais uma vez) com duas linhas na área: uma de três (dois centrais e o lateral do lado contrário da bola) e um jogador à frente (médio defensivo do lado contrário da bola). Do lado da bola o lateral, e o outro médio defensivo, ficava entre corredores. Como Matic à esquerda tinha de fechar o corredor, este espaço ficava desguarnecido e foi inicialmente aproveitado pelo City. Mas, como já referenciado atrás, o City deixou de aparecer em superioridade numérica pelo corredor e por isso deixou de criar perigo nestas jogadas. Notou-se uma grande preocupação por defender desta forma por parte do Chelsea. Viu-se Matic e David Luiz a sprintarem para fazerem a permuta com os seus centrais quando estes saiam da sua posição.

Transição ofensiva Chelsea FC vs Transição Defensiva Manchester City FC

É importante realçar que o City por diversas vezes apareceu com quatro homens na área e por vezes cinco, mais o homem do cruzamento (seis!), restando apenas 4 para o equilíbrio. Com Demichelis no corredor central, este levou amarelo aos 37 minutos, condicionando-o muito para o resto da partida. Como havia muita distância entre estes quatro jogadores e os seis do ataque, foi difícil reagir à perda da bola, levando o Chelsea a efectuar diversos contra-ataques ao longo da partida, levando o trio do meio-campo ofensivo a apoiar rapidamente Eto’o no ataque.

Organização ofensiva Chelsea FC vs Organização defensiva Manchester City FC

Nas jogadas  referidas anteriormente apenas os quatro da frente do Chelsea FC atacavam. Azpilicueta apareceu uma única vez no corredor lateral ofensivo durante o jogo. Ivanovic foi o único a receber ordens para subir e pela certa tendo então sempre cinco a seis jogadores no equilíbrio defensivo.

O City também pressionou o Chelsea na sua primeira fase de construção. Em resposta, o Chelsea FC demonstrou assim uma obsessão pela segurança esperando pelo momento certo para marcar. Quando tinha a bola atrás, o método mais vezes utilizado foi, subir Ivanovic e Cech colocar longo na cabeça deste. Como Silva não ia ao cabeceamento, Kolarov tentava disputar o lance (perdeu praticamente a totalidade das jogadas). Ivanovic cabeceava então para a diagonal de Ramires no 1×1 com Nastasic mas nunca se desposicionando atrás.

O City, para contrapor estas jogadas rápidas tinha a preocupação de ter quatro em linha no sector defensivo e de uma forma posicional, os restantes jogadores desciam lentamente em campo.

Transição ofensiva Manchester City vs Transição defensiva Chelsea FC

Inicialmente era uma curiosidade perceber como Mourinho iria parar estes lances, mas o modo como idealizou o ataque, acabou logo por ser uma solução. A equipa não procurou posse, procurou atacar rápido e não deixar espaços abertos atrás. Assim não foram muitas as oportunidades para o City sair rápido em contra-ataque. Ainda assim quando a câmara nos permitiu ver, verificou-se grande preocupação no equilíbrio defensivo e de Matic e David Luiz em marcarem os jogadores nesta zona (normalmente Silva).

Acontecimentos:

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Com o golo aos 33 minutos, o Chelsea FC apenas mudou o posicionamento de Hazard, que passou a defender mais no seu corredor. Na 2ª parte a entrada de Jovetic veio mudar o jogo. Enquanto que Negredo e Dzeko jogavam perto dos centrais e depois faziam movimentos de aproximação, acompanhados por Cahil ou Terry, Jovetic entrou para jogar a médio ofensivo na linha de Silva. Isto acabou por criar alguns problemas porque durante alguns minutos o City conseguiu que este aparecesse sozinho. Assistimos a alguns movimentos muito bons por parte do City com jogadores a movimentarem-se e a abrirem espaços e outros a penetrarem nestes. Willian e Ramires já começavam a ter dificuldade em defender a dupla Demichelis e Toure. O Chelsea continuava a abdicar que o portador da bola tivesse pressão, desde que Silva não recebesse. Em resposta, D. Luiz e Matic passaram a repartir Silva e Jovetic.

O resultado é enganador. O vencedor não, mas o resultado que faz jus a este grande espectáculo seria mais um 4-3. Mas gostaria de saber se Mourinho teria mudado de estratégia se começasse a perder. Gostaria também de saber o que mudaria na estratégia se jogadores como Aguero, Fernandinho, Nasri ou até mesmo Javi tivessem actuado. Mourinho ganhou os dois jogos ao City e continua sem perder contra um dos seis candidatos ao título. No entanto, em Inglaterra, o que conta é a diferença de golos.

Parece-me que a estratégia de jogo e a forma como é trabalhada é fundamental. E isso ficou demonstrado neste grande jogo.

 

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Escrito por: Carlos Rocha

Analista de Futebol, Mestre em Treino Desportivo pela Faculdade Motricidade Humana.

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